A história de Guarapari começou muito antes de suas praias se tornarem conhecidas em todo o Brasil. Povos indígenas já viviam no território quando chegaram os colonizadores e missionários europeus.

Nos séculos seguintes, Guaraparim passou de aldeamento a vila e, depois, a cidade. O porto, a pesca, a agricultura e a construção naval marcaram os primeiros períodos. No século XX, as praias, as areias monazíticas e o Radium Hotel deram nova projeção ao município.

1585Marco tradicional do núcleo de Guaraparim
1679Elevação à categoria de vila
1860Visita de D. Pedro II
1878Delimitação da área municipal
1891Elevação à categoria de cidade
1953Inauguração do Radium Hotel

Como começou a história de Guarapari?

O território de Guarapari era ocupado por povos indígenas antes da colonização portuguesa. Registros históricos locais mencionam, entre outros grupos, Tupiniquins e Temiminós.

José de Anchieta percorreu a região em 1569, no contexto da atuação jesuítica no Espírito Santo. O núcleo de Guaraparim se formou ao longo das décadas seguintes, com a participação de indígenas, missionários e autoridades coloniais.

Por isso, dizer que uma única pessoa “fundou Guarapari” simplifica um processo muito mais amplo. Anchieta ocupa um lugar central nessa história, mas a presença indígena e a formação gradual do aldeamento precisam fazer parte da resposta.

O que aconteceu em Guaraparim em 1585?

8 de dezembro de 1585 é o marco tradicional da fundação de uma igreja no núcleo de Guaraparim, em uma área elevada próxima à foz do rio.

Para a celebração, Anchieta escreveu o auto Na aldeia de Guaraparim, apresentado em língua brasílica. A igreja foi inicialmente associada à devoção a Sant’Ana, enquanto a documentação histórica também liga o aldeamento a Nossa Senhora da Conceição.

1585 não é o início da ocupação humana.
A data marca a consolidação do núcleo missionário e a fundação da igreja. A presença indígena no território é anterior.

Outro vestígio atribuído ao período é o Poço dos Jesuítas, no Morro do Atalaia. Há indícios de que tenha sido construído por volta de 1587 para facilitar o acesso à água.

De aldeamento a vila

Em 1677, Francisco Gil de Araújo, donatário da Capitania do Espírito Santo, mandou iniciar outra igreja dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Seus vestígios correspondem às atuais Ruínas da Antiga Matriz.

Essa construção não é a mesma igreja ligada ao marco de 1585. A distinção é importante porque os dois templos aparecem com frequência em relatos sobre a origem da cidade.

Em 1679, Guaraparim foi elevada à categoria de vila. O histórico administrativo registra a provisão de 1º de janeiro e a instalação da vila em 1º de março daquele ano.

Como era Guarapari antes do turismo?

Durante os períodos colonial e imperial, a vida econômica esteve ligada à pesca, à agricultura, à navegação costeira e à construção naval.

O porto era uma ligação importante com outras povoações. Pessoas e mercadorias circulavam pelo canal, e a produção local incluía café, açúcar, peixe seco, madeira e alimentos.

Em 1860, D. Pedro II visitou a Vila de Guarapari. O relato histórico municipal informa que o imperador conheceu uma escola com 41 alunos, o estaleiro e áreas de cultivo. Também registrou a movimentação de pequenas embarcações no porto.

O que ocorreu em 1878 e 1891?

Os dois anos representam etapas diferentes da organização administrativa.

A Lei nº 26, de 24 de dezembro de 1878, fixou o limite entre os municípios de Guarapari e Benevente, atual Anchieta. Nos históricos administrativos, esse ato aparece como a delimitação da área municipal de Guarapari.

Em 19 de setembro de 1891, a Lei nº 28 elevou Guarapari à categoria de cidade.

O 19 de setembro continua sendo a data histórica.
A descrição mais precisa do ato de 1891 é “elevação de Guarapari à categoria de cidade”. A expressão “emancipação política” continua presente em documentos e no uso popular, mas não descreve o ato com a mesma exatidão.

Como Guarapari se tornou um destino turístico?

Não existe um único ano para o nascimento do turismo local. A transformação ocorreu aos poucos.

Nas décadas de 1930 e 1940, as areias monazíticas ganharam projeção e ajudaram a divulgar Guarapari nacionalmente. Visitantes chegavam atraídos pelas praias e pela reputação terapêutica então atribuída às areias.

Essa associação faz parte da história da expressão Cidade Saúde. Ela deve ser entendida como construção cultural e turística, não como recomendação médica.

A exploração econômica da monazita também marcou o período. A usina da Monazita do Brasil, conhecida como Mibra, funcionou próxima ao antigo porto e utilizou a estrutura marítima para escoar material.

Conheça esse capítulo em Areias monazíticas de Guarapari.

O Radium Hotel e os anos dourados

O Radium Hotel teve sua construção iniciada em 1947 e foi inaugurado em 1953, em frente à Praia da Areia Preta.

O edifício de três pavimentos possuía estrutura de hospedagem, suítes especiais e salões de jogos e lazer. Artistas, empresários, políticos e outras personalidades passaram pelo hotel, que se tornou um símbolo da projeção turística de Guarapari.

O empreendimento perdeu protagonismo na década de 1960. A posse pública do hotel foi retomada em 1967; as atividades continuaram em outras condições até o fechamento em 1992.

Em 1998, o conjunto foi tombado pelo Conselho Estadual de Cultura. Em 2025, o poder público apresentou uma nova etapa do projeto de revitalização, com proposta ligada à formação profissional e à inovação no turismo.

Patrimônio histórico de Guarapari

Alguns lugares ajudam a visualizar diferentes períodos dessa trajetória:

Linha do tempo de Guarapari

Antes

Povos indígenas já ocupavam o território.

1569

José de Anchieta percorre a região durante sua atuação missionária.

1585

Fundação da igreja no núcleo de Guaraparim.

1679

Guaraparim é elevada à categoria de vila.

1860

D. Pedro II visita a Vila de Guarapari.

1878

Lei fixa o limite entre Guarapari e Benevente.

1891

Guarapari é elevada à categoria de cidade em 19 de setembro.

1953

Inauguração do Radium Hotel.

1998

Radium Hotel é tombado pelo Conselho Estadual de Cultura.

Guarapari hoje

A cidade atual reúne as marcas de todas essas fases. O núcleo histórico convive com praias urbanas, áreas de preservação, comunidades tradicionais e regiões rurais.

O turismo continua importante, mas Guarapari não existe apenas durante o verão. Comércio, serviços, escolas, pesca, construção civil, agricultura, cultura e eventos mantêm o município ativo durante o ano inteiro.

Para continuar a leitura, conheça a origem do nome Guarapari, os símbolos oficiais da cidade e o Hino de Guarapari.

Perguntas frequentes

Quando Guarapari foi fundada?

1585 é o marco tradicional do núcleo de Guaraparim e da fundação de sua igreja. A ocupação indígena do território é anterior.

Quem fundou Guarapari?

José de Anchieta tem papel central na formação missionária de Guaraparim, mas a origem da cidade envolve povos indígenas, missionários e autoridades coloniais. Não foi um acontecimento realizado por uma única pessoa.

Quando Guarapari se tornou vila?

Em 1679. A provisão é de 1º de janeiro, e a instalação da vila ocorreu em 1º de março.

O que aconteceu em 19 de setembro de 1891?

A Lei nº 28 elevou Guarapari à categoria de cidade. Por isso, 19 de setembro é uma das datas centrais da história municipal.

D. Pedro II visitou Guarapari?

Sim. O imperador visitou a Vila de Guarapari em 1860 e conheceu uma escola, o estaleiro, o porto e áreas de cultivo.

Por que Guarapari é chamada de Cidade Saúde?

A expressão está ligada à projeção turística das areias monazíticas no século XX. O artigo apresenta essa associação como fato histórico, não como recomendação médica.

Fontes consultadas: histórico e formação administrativa do IBGE; páginas históricas do Município de Guarapari sobre a cidade, o porto, o Poço dos Jesuítas e o Radium Hotel; Câmara Municipal de Guarapari; Lei nº 26, de 24 de dezembro de 1878; Lei nº 28, de 19 de setembro de 1891; Resolução nº 4/1998 do Conselho Estadual de Cultura. Revisão editorial: setembro de 2026.