02/07/2025 · 9 min de leitura

A história de Guarapari vai muito além das praias. O município reúne heranças indígenas, influência jesuíta, patrimônio histórico e uma forte vocação turística que moldaram sua identidade ao longo dos séculos. Neste guia, você conhece a trajetória da cidade, desde os primeiros habitantes até o destino consolidado que é hoje, e entende como cada período contribuiu para formar a Guarapari que conhecemos.

Guarapari é uma cidade que carrega mais de quatro séculos de história. Desde os tempos em que era uma aldeia jesuíta até se tornar o principal destino turístico do Espírito Santo, sua trajetória é marcada por transformações profundas que moldaram sua identidade e seu povo.

Neste guia, você vai descobrir:

  • Como surgiu Guarapari e sua origem indígena
  • A chegada dos jesuítas e a fundação da aldeia
  • As etapas de sua evolução até se tornar cidade
  • A descoberta das areias monazíticas e o Radium Hotel
  • Curiosidades e perguntas frequentes

História de Guarapari em 1 minuto

AspectoInformação
OrigemAldeamento jesuíta
Personagem históricoPadre José de Anchieta
Início da missão jesuíta1569
Fundação da aldeia1585
Elevação a vila1679
Elevação a município1878
Elevação a cidade1891
DestaqueTurismo e praias
CuriosidadeAreias monazíticas
AtualidadeUm dos principais destinos do Espírito Santo

Como surgiu Guarapari?

Muito antes de se tornar o destino turístico que é hoje, a região de Guarapari já era habitada por diversos povos indígenas, com destaque para grupos de matriz tupi e outros povos que ocupavam o litoral e o interior do atual Espírito Santo. A presença desses povos foi fundamental para a formação cultural da cidade, deixando influências nos costumes, na linguagem e na relação com a natureza.

Foi nesse cenário que, em 1569, chegou o Padre José de Anchieta, uma das figuras mais importantes da história do Brasil colonial e da Igreja Católica. Durante suas missões pelo Espírito Santo, Anchieta percorreu a região como visitador dos jesuítas, encarregado de estabelecer novas aldeias para a catequese dos índios. A localização escolhida era totalmente favorável, pois os jesuítas julgavam por bem fundar aldeias sempre às margens dos rios ou embocaduras, facilitando as entradas que necessitavam fazer à procura de novas levas de indígenas.

A chegada dos jesuítas e o nascimento da aldeia

Em 1569, o Padre José de Anchieta percorreu as terras do Espírito Santo como visitador dos jesuítas, encarregado de estabelecer novas aldeias para a catequese dos povos indígenas da região. Foi assim que determinou o nascimento da povoação que viria a se tornar Guarapari.

No alto de uma colina, foi construído um convento para os missionários e uma igreja dedicada a Sant’Ana, símbolo da fé e da organização social da nova povoação. O lugarejo recebeu o nome de Aldeia do Rio Verde ou Aldeia de Santa Maria de Guaraparim.

Para a inauguração da aldeia e da igreja, o Padre José de Anchieta compôs a mais expressiva de suas obras literárias, o Auto Tupi, escrito em língua tupi, pois os índios não sabiam a língua portuguesa. A obra reverenciava Maria Imaculada e tinha como personagem a alma de Pirataraka, um índio falecido. O Padre José de Anchieta, que foi evangelizador, músico, poeta e primeiro teatrólogo do Brasil, faleceu em 1597 e foi canonizado em 2014 pelo Papa Francisco.

As etapas da fundação

A história de Guarapari é marcada por diferentes marcos que representam sua evolução institucional:

  • 1569 — Início da missão jesuíta na região, com a chegada do Padre José de Anchieta
  • 1585 — Fundação da Aldeia de Santa Maria de Guaraparim
  • 1677 — Construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição
  • 1679 — Elevação da aldeia à categoria de vila por mercê de D. Pedro, através do Donatário Francisco Gil de Araújo
  • 1835 — Criação da comarca de Guarapari pela Lei Provincial, compreendendo o Rio Itapemirim, Beneventes e Guarapari
  • 1878 — Elevação de vila a município em 24 de dezembro
  • 1891 — Elevação à categoria de cidade pela Lei Estadual nº 28, sancionada pelo Juiz de Direito e Presidente da Província, Coronel Manoel da Silva Mafra

José de Anchieta foi o principal responsável pela criação do aldeamento jesuíta que deu origem a Guarapari.

A economia no início

Nos primeiros séculos, a economia de Guarapari era modesta e baseada em atividades tradicionais:

  • Pesca: atividade fundamental para a subsistência dos primeiros habitantes
  • Agricultura: cultivo de gêneros alimentícios e café
  • Construção naval: estaleiros movimentavam o porto local

Em 1860, a Vila de Guarapari recebeu a honra de receber a visita do Imperador do Brasil, D. Pedro II. Nessa ocasião, ele teve a oportunidade de ver uma população bastante expressiva, entre 1.000 a 1.200 habitantes. Visitou uma escola com 41 alunos matriculados, o estaleiro de construção naval e o cultivo de café e gêneros alimentícios.

O porto de Guarapari foi fundamental para a comunicação e o comércio da região até a inauguração da ponte Jones dos Santos Neves, na década de 1950. Em frente ao cais do antigo porto, era feita a travessia de balsa para a praia de Muquiçaba ou para viagem em direção a Benevente. Era local de circulação de pessoas e mercadorias desde o período colonial.

A descoberta das areias monazíticas

Um dos capítulos mais fascinantes da história de Guarapari está ligado às suas areias monazíticas.

O termo “monazita” vem do grego monazein, que significa “solitário”, denotando a raridade desse tipo de areia: ela só existe na Índia, na África do Sul, em Madagascar e no Brasil – onde a maior quantidade está em Guarapari.

Em 1940, o russo Boris Davidovich desembarcou em Guarapari como procurador de uma empresa francesa que explorava a areia da região. Em apenas um ano, comprou todas as áreas que continham areia monazítica e fundou a Mibra (Monazita do Brasil). A empresa extraía, processava e transportava a areia em navios até os EUA.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a areia monazítica de Guarapari despertou interesse internacional por conter minerais estratégicos. A areia radioativa também passou a ser procurada por seus supostos efeitos terapêuticos, e a cidade ganhou fama como destino de saúde e bem-estar, sendo conhecida como “Cidade Saúde”.

Conheça mais sobre esse fenômeno no artigo areias monazíticas de Guarapari.

O Radium Hotel: símbolo de uma época

Em 1953, foi inaugurado o Radium Hotel, um hotel e cassino com o sugestivo nome, bem em frente à Praia da Areia Preta. O hotel tornou-se um símbolo do turismo em Guarapari e um dos principais pontos de referência histórica da cidade.

O Radium Hotel foi palco de momentos marcantes. Em 1963, o bicampeão mundial Garrincha esteve em Guarapari para se tratar das dores nos joelhos com as areias monazíticas, hospedando-se no Radium Hotel com sua então esposa, a cantora Elza Soares. O craque permaneceu por sete dias no município, onde diariamente cobria os joelhos com areia na Praia da Areia Preta.

O hotel vivenciou seu auge entre as décadas de 1950 e 1960, sendo procurado por personalidades do meio artístico por suas suítes confortáveis e alto padrão. Após o período de maior movimento, o hotel entrou em declínio por mudanças econômicas e pela perda do protagonismo do turismo ligado às areias monazíticas.

Oficialmente, o Radium Hotel faliu em 1990 e foi lacrado pelos Bombeiros dois anos depois devido à precariedade da estrutura. Hoje, o edifício permanece como um importante marco histórico da cidade.

O crescimento do turismo

A descoberta das areias monazíticas, com suas supostas propriedades terapêuticas, atraiu visitantes em busca de saúde e bem-estar, transformando Guarapari em um destino turístico consolidado. A construção do Radium Hotel em 1953 e a fama de “Cidade Saúde” consolidaram essa vocação turística.

Nas décadas seguintes, Guarapari se consolidou como um dos principais destinos turísticos do Espírito Santo, com sua vocação praiana sendo reforçada pela infraestrutura hoteleira, pela gastronomia e pelos eventos que passaram a movimentar a cidade durante todo o ano.

Guarapari hoje

Hoje, Guarapari é um dos principais destinos turísticos do Espírito Santo. A cidade combina:

  • Mais de 50 praias com águas cristalinas e areias monazíticas
  • Natureza preservada com parques estaduais e municipais
  • Infraestrutura turística com uma das maiores redes hoteleiras do estado
  • Patrimônio histórico que conta a história da colonização
  • Qualidade de vida que atrai novos moradores

Com cerca de 136 mil habitantes, Guarapari recebe milhares de visitantes durante o ano, especialmente no verão e feriados, consolidando sua vocação turística construída ao longo dos séculos.

Entenda mais sobre o impacto econômico desse crescimento no artigo economia de Guarapari.

Linha do tempo

AnoMarco
Antes dos portuguesesPovos indígenas ocupam a região
1569Início da missão jesuíta na região
1585Fundação da Aldeia de Santa Maria de Guaraparim
1677Construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição
1679Elevada à categoria de vila
1835Criação da comarca de Guarapari
1860Visita de D. Pedro II
1878Elevada à categoria de município
1891Elevada à categoria de cidade
1940Exploração das areias monazíticas
1953Inauguração do Radium Hotel
HojePrincipal destino turístico do Espírito Santo

Patrimônios históricos

  • Ruínas da Igreja Nossa Senhora da Conceição — Construída em 1677 ao lado do convento jesuíta, a igreja nunca foi totalmente concluída devido a um incêndio. Hoje, suas ruínas estão tombadas pelo Patrimônio Histórico e são um dos principais pontos de visitação da cidade
  • Igreja de Sant’Ana — A primeira igreja construída no aldeamento, dedicada a Sant’Ana, símbolo da fé e da organização social da nova povoação
  • Radium Hotel — Inaugurado em 1953, foi um hotel e cassino que se tornou símbolo do turismo em Guarapari durante a época das areias monazíticas. Hoje, o edifício permanece como um importante marco histórico da cidade

Curiosidades sobre a história de Guarapari

  • Guarapari nasceu como aldeamento jesuíta fundado pelo Padre José de Anchieta
  • José de Anchieta, considerado o Apóstolo do Brasil, foi canonizado em 2014 pelo Papa Francisco
  • O nome “Guarapari” tem origem na língua tupi. A interpretação mais difundida é “lugar das garças”, mas existem outras variações
  • As areias monazíticas deram fama internacional à cidade, que passou a ser conhecida como “Cidade Saúde”
  • O turismo transformou completamente a economia da cidade, que hoje é um dos principais destinos do Espírito Santo
  • O nome da cidade já passou por diversas variações: Vila dos Jesuítas, Aldeia de Nossa Senhora, Aldeia de Santa Maria de Guaraparim, Guaraparim, Goaraparim e, finalmente, Guarapari

A história continua sendo construída

A história de Guarapari não parou no passado. A cidade continua crescendo, atraindo novos moradores, recebendo turistas de todo o Brasil e se consolidando como um dos destinos mais completos do litoral brasileiro.

O crescimento urbano, o fortalecimento do turismo e a busca por qualidade de vida são os novos capítulos dessa história que ainda está sendo escrita. A cada verão, a cidade se transforma, recebendo milhares de visitantes que ajudam a manter viva a vocação turística construída ao longo dos séculos.

Perguntas frequentes

Quando Guarapari foi fundada?
A fundação da Aldeia de Santa Maria de Guaraparim ocorreu em 1585, com a chegada do Padre José de Anchieta à região em 1569 e o estabelecimento definitivo da aldeia em 1585.

Quem fundou Guarapari?
José de Anchieta foi o principal responsável pela criação do aldeamento jesuíta que deu origem a Guarapari.

Por que Guarapari tem esse nome?
O nome tem origem na língua tupi. A interpretação mais difundida é “lugar das garças”. Consulte o artigo o que significa Guarapari para mais detalhes.

Quem eram os primeiros habitantes de Guarapari?
Diversos povos indígenas ocuparam a região antes da chegada dos portugueses, com destaque para grupos de matriz tupi e outros povos que habitavam o litoral e o interior do atual Espírito Santo.

Qual a importância de José de Anchieta?
Anchieta foi o principal responsável pela criação do aldeamento que deu origem a Guarapari. É uma das figuras mais importantes da história do Brasil colonial, canonizado como santo pela Igreja Católica em 2014.

Como Guarapari virou cidade turística?
A descoberta das areias monazíticas, com suas supostas propriedades terapêuticas, atraiu visitantes em busca de saúde e bem-estar. A construção do Radium Hotel em 1953 e a fama de “Cidade Saúde” transformaram Guarapari em um destino turístico consolidado.

A história de Guarapari vai muito além das praias. O município reúne heranças indígenas, influência jesuíta, patrimônio histórico e uma forte vocação turística que moldaram sua identidade ao longo dos séculos. Conhecer essa trajetória ajuda a compreender por que Guarapari ocupa hoje um lugar de destaque entre os principais destinos do Espírito Santo.

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